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“Demorei
cerca de um ano para superar a dor da perda do meu bebê... mas não vou
entrar em pânico pensando que é tarde demais para tentar outra vez”.
Sarah Brightman suportou a perda do seu bebê, o suicídio do seu pai e o
fracasso dos seus dois casamentos. Numa conversa com Janie Lawrence ela
conta como conseguiu lidar com essas tragédias pessoais e revela que não
tocou num único centavo da fortuna de 6 milhões de libras que Andrew Lloyd
Webber lhe entregou quando da sua separação. Ninguém pensaria que o
sobrenome do seu ex-marido causaria tanto alarido. Claro que ela é uma
grande dama, dizem uns, enquanto outros discordam. De qualquer modo, todos
a associam ao seu casamento com ALW. Surpreendentemente, também eles se
recordam do single “I lost my heart to a starship trooper”, quando ela
ainda era um membro do grupo de dança Hot Gossip. Ninguém, mas ninguém
mesmo fala da sua extraordinária voz, nem dos seus álbums, que de acordo
com a lista nacional de artistas mais bem-pagos, a situam num respeitável
número 10 com um total de 4 milhões de libras.
Quando nos encontramos em Estocolmo, Sarah preparava-se para mais um
concerto e a tensão era evidente. Depois de 50 concertos ela começa a
queixar-se de uma lesão nas costas. Mas não, o seu comportamento não é
digno de uma prima donna. Ela é agradável e sorri bastante enquanto
procura uma posição confortável na sua cadeira. O seu médico informou-a de
que a dor só passaria após um prolongado período de descanso, mas estar
parada não faz parte da sua natureza. Ela é, pelas suas próprias palavras,
uma pessoa muito ambiciosa. “Muito, tenho necessidade de sempre fazer
algo acontecer”.
É talvez uma das razões pelas quais a imprensa não a tem poupado a
comentários nada simpáticos nos últimos anos – e não só pela sua
aparência. Na realidade, aquela expressão de coelho-apanhado-de-surpresa
desaparece quando a conhecemos em pessoa. No palco os seus olhos pintados
conferem-lhe uma aura dramática, mas hoje ela não tem qualquer maquiagem
sob a sua pele. Vestida com calças pretas e com o longo cabelo solto, o
seu aspecto é mais gracioso do que sexy. A sua voz é bem diferente do que
eu esperava, é menos infantil, como se fosse resultado de aulas de locução
dos anos 40. “É o que o Frankie diz” ela conta, sorrindo, olhando
para o Frank em questão.
Frank Peterson, 36 anos, alemão, é o seu namorado e produtor há 9 anos.
Depois de um início nada auspicioso – “ambos viemos de relações que
acabaram em divórcios e estávamos bastante confusos com isso” – agora
vivem juntos no apartamento dele em Hamburgo. Ele não é Barão nem Conde,
uma piada lançada por Sir (agora Lorde) ALW. Mesmo assim, um namorado
menos parecido com o seu ex-marido é difícil de imaginar. Vestindo calças
de couro e usando brinco, demonstrando preferência por humor pornográfico,
junta-se a nós passados apenas 5 minutos do início da nossa entrevista.
“Importa-se?” – ela pergunta – “É que freqüentemente ele é
melhor nas respostas se fico muito quieta”. Isso significa “Você é
uma jornalista britânica e eu preciso de reforços”. Enquanto ele
andava solícito à sua volta – “Beba um pouco de champanhe, vai enganar
a dor” - ela ficou visivelmente mais relaxada. Contudo, ainda estou
chocada pela volta que a nossa conversa deu quando toquei no assunto sobre
bebês.
Uma vez ela disse que o trabalho era o seu “bebê”, mas agora aos 40 anos,
pergunto se suas prioridades não mudaram. Ela olha para Frank: “Na
verdade já perdi um bebê”, ela responde hesitante. Até hoje ela nunca
falara publicamente sobre este fato, que aconteceu em Abril de 1998
durante uma tour mundial. “Tinha estado trabalhando na África do Sul
quando regressei à Europa para continuar a tour. Quando
cheguei à Alemanha senti-me mal. Não sei porquê, mas decidi comprar um
teste de gravidez. Quando descobri fiquei surpreendida. Nada havia sido
planejado”. Seu rosto irradia, “telefonei logo para minha mãe e
para
o Frank, pois sentia-me muito feliz”.
A sua felicidade durou pouco tempo. Alguns dias depois, após 16 horas de
trabalho de promoção em Montreal, quando se dirigia para Toronto,
desmaiou no aeroporto. Levada de imediato para o hospital, descobriu-se
que a sua gravidez era de alto risco e ela perdeu o bebê. Frank
encontrava-se em Hamburgo. “Recebi um telefonema e me pediram para
ficar em casa e que me diriam como as coisas estavam em duas horas. O pior
foi não ter estado lá. Senti-me impotente”. Mais tarde, em um
telefonema, Sarah contou a Frank que os médicos tiveram de remover uma de
suas trompas de Falópio “Disse-lhe que partiria no próximo avião” –
mas Sarah disse “Não, fique. Volto para casa daqui a três dias”.
Foi uma prova de coragem, contando com tudo aquilo que lhe havia
acontecido. “Fiquei meio desligada durante alguns dias. Acho que foi
por causa dos hormônios. Durante 3 semanas eu fiquei arrasada, e levei um
ano para superar isso. Depois sentia que a alma do bebê estava comigo, o
que era extraordinário. Parece loucura. Era reconfortante mas ao mesmo
tempo muito emocional”. O que os médicos dizem em relação a futuras
chances de engravidar? “Oh, você sabe o que eles dizem sempre.
Felizmente, ao menos teoricamente, é possível”.
Agora ela está determinada a pôr uma pedra sobre o assunto. “Podia
dizer que apesar das coisas não terem corrido como eu gostaria, não me
sinto infeliz. Pelo menos tive a experiência. Muitas mulheres nunca
estiveram grávidas. Por causa disso, muitas pensam que são um fracasso.”
Mesmo assim ainda lhe causa sofrimento? “O meu único medo é chegar a um
ponto em que seja muito tarde e eu já não possa fazer nada em relação a
isso. Mas não vou entrar em pânico. A minha vida é muito boa e não tenho
do que me queixar.” Poucas mulheres que passaram por este tipo
situação compreenderiam completamente o sentimento de Sarah, mas não deixo
de pensar que ela se preocupa muito mais com este assunto do que realmente
admite ou deixa transparecer. Para os outros e talvez para ela própria.
Esta determinação em seguir em frente surge inúmeras vezes desde o início
da nossa conversa. “O que posso fazer em relação a isso??” – diz
ela – “todos nós passamos por maus momentos e temos de aprender a
lidar com eles.”
Se é algo inato, ou que aprendeu da maneira mais dura, isso é difícil de
perceber. A sua vida pessoal tem lhe dado muitas oportunidades para
testar a sua força interior, com dois casamentos fracassados (o primeiro
com Andrew Graham-Stewart, empresário de uma banda de rock, durou apenas 3
anos) e, talvez o mais marcante, o suicídio do seu pai.
Greenville Brightman era um homem de negócios que se suicidou dentro do
seu carro numa cinzenta manhã de domingo, em Fevereiro de 1992, aos 57
anos. Sarah encontrava-se no apartamento da sua mãe quando recebeu a
notícia. “Era algo que já tinha me passado pela cabeça” – responde
pensativa – “Ele tinha deixado de dormir e quando isso acontece,
ficamos malucos em relativamente pouco tempo”. O público ficou
incrédulo quando na segunda-feira seguinte, Sarah continuou com sua
atuação no musical “Aspects of Love”. É assim, perguntaram eles, a maneira
própria de agir, de alguém que não está preparado para deixar que algo
impeça a ascensão da sua carreira? Ela abana a cabeça assustada “Era
algo ao qual podia me agarrar e concentrar. Foi a minha maneira de me
abstrair desses dias horríveis. Sentia-me deslocada. Se um pai faz uma
coisa dessas, todos os valores com os quais fomos educados, sobre como a
vida é preciosa e porque estamos aqui, voam pela janela a fora.” Oito
anos após a sua morte ela ainda pensa nele todos os dias.
“Provavelmente algumas vezes por dia. Superamos a dor e a perda mas o
sentimento nunca desaparece, acabamos por nos acostumar com isso”.
Isso também aconteceu pouco tempo depois do divórcio com Andrew Lloyd
Webber. A mais leve menção do nome do famoso compositor produz um suspiro
quase inaudível. Francamente, quem a pode criticar? O casamento acabou em
1990. “Começou bem. Gostávamos muito da companhia um do outro. A nossa
vida era difícil porque ambos estávamos sob muita pressão. Eu trabalhava e
ao mesmo tempo tinha de ser a esposa socialmente, pois era o tipo de vida
que ele tinha. Eu não tinha muito jeito para esse papel, e se algum dia o
fui, estava representando.” Receosa de ser mal interpretada como a
sua sucessora, Madeleine Gurdon parece ser um par mais indicado. “Não
digo que ser assim é mau, mas apenas não sou eu.” “Acho que nos fartamos
um do outro ao mesmo tempo” – diz ela, apesar de confessar que receber
uma declaração de divórcio foi um "grande choque". Por que não lutou pelo
casamento? “Quando alguém nos diz que encontrou outra pessoa e que irão
ficar juntos, você tem de aceitar”. Fora do palco, Brightman não é
uma diva perto de um ataque de nervos. “Não faz parte da minha maneira
de ser, conheço o meu ex-marido suficientemente bem para saber que ele
falava a sério. Não havia volta.” Os dois ainda são amigos, tanto que
Sarah aceitou o convite para cantar na festa de 50 anos do compositor.
“Não somos muito chegados, mas temos uma boa relação. Não tenho qualquer
problema com a sua atual mulher, nem nunca tive.”
Sarah recebeu cerca de 6 milhões de libras como acordo de divórcio. Ela
ofereceu-se para devolver, e até hoje ela não tocou no dinheiro. “Não
tenho nenhum problema com isso. Eu faço muito mais dinheiro do que aquele
e não preciso dele. Estou numa posição bastante confortável para dizer
isso com sinceridade.” E os seus rendimentos anuais de 4 milhões de
libras estão corretos? “Conheço pessoas que estão nessas listas e é
engraçado, porque elas ganham muito mais, ou muito menos dinheiro do que o
que é publicado” – responde, tentando escapar à pergunta.
Mesmo
assim, a cantora ainda não recebeu credibilidade musical no seu país
natal, algo de que ela está bem ciente. “A Inglaterra é muito
importante para mim, mas se lá as pessoas não me dão credibilifdade, na
América pensam o contrário” – ela responde, com uma leve entonação na
sua voz. Contudo, apesar da sua aparente fragilidade, tudo indica que esta
mulher possui uma força de aço. “Em resumo, é isso” – ela diz
sorrindo, antes de partir para uma consulta no fisioterapeuta. Não há
sombra de dúvidas, La Brightman continuará a brilhar.
La Luna será lançado no próximo dia 15 de Janeiro pela East West Records.
Sarah Brightman realizará um concerto no Royal Albert Hall no dia 10 de
Abril.
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Thanks to Ruy
Sandro Trindade, from Portugal, for the translation to Portuguese.
Obrigada Ruy Sandro Trindade, de Portugal, pela tradução para o Português.
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