DAILY MAIL


Sarah Brightman
Por Janie Lawrence
Daily Mail
10 de Dezembro de 2000
 

“Demorei cerca de um ano para superar a dor da perda do meu bebê... mas não vou entrar em pânico pensando que é tarde demais para tentar outra vez”.

Sarah Brightman suportou a perda do seu bebê, o suicídio do seu pai e o fracasso dos seus dois casamentos. Numa conversa com Janie Lawrence ela conta como conseguiu lidar com essas tragédias pessoais e revela que não tocou num único centavo da fortuna de 6 milhões de libras que Andrew Lloyd Webber lhe entregou quando da sua separação. Ninguém pensaria que o sobrenome do seu ex-marido causaria tanto alarido. Claro que ela é uma grande dama, dizem uns, enquanto outros discordam. De qualquer modo, todos a associam ao seu casamento com ALW.  Surpreendentemente, também eles se recordam do single “I lost my heart to a starship trooper”, quando ela ainda era um membro do grupo de dança Hot Gossip. Ninguém, mas ninguém mesmo fala da sua extraordinária voz, nem dos seus álbums, que de acordo com a lista nacional de artistas mais bem-pagos, a situam num respeitável número 10 com um total de 4 milhões de libras.

Quando nos encontramos em Estocolmo, Sarah preparava-se para mais um concerto e a tensão era evidente. Depois de 50 concertos ela começa a queixar-se de uma lesão nas costas. Mas não, o seu comportamento não é digno de uma prima donna. Ela é agradável e sorri bastante enquanto procura uma posição confortável na sua cadeira. O seu médico informou-a de que a dor só passaria após um prolongado período de descanso, mas estar parada não faz parte da sua natureza. Ela é, pelas suas próprias palavras, uma pessoa muito ambiciosa. “Muito, tenho necessidade de sempre fazer algo acontecer”.

É talvez uma das razões pelas quais a imprensa não a tem poupado a comentários nada simpáticos nos últimos anos – e não só pela sua aparência. Na realidade, aquela expressão de coelho-apanhado-de-surpresa desaparece quando a conhecemos em pessoa. No palco os seus olhos pintados conferem-lhe uma aura dramática, mas hoje ela não tem qualquer maquiagem sob a sua pele. Vestida com calças pretas e com o longo cabelo solto, o seu aspecto é mais gracioso do que sexy.  A sua voz é bem diferente do que eu esperava, é menos infantil, como se fosse resultado de aulas de locução dos anos 40. “É o que o Frankie diz” ela conta, sorrindo, olhando para o Frank em questão.

Frank Peterson, 36 anos, alemão, é o seu namorado e produtor há 9 anos. Depois de um início nada auspicioso – “ambos viemos de relações que acabaram em divórcios e estávamos bastante confusos com isso” – agora vivem juntos no apartamento dele em Hamburgo. Ele não é Barão nem Conde, uma piada lançada por Sir (agora Lorde) ALW. Mesmo assim, um namorado menos parecido com o seu ex-marido é difícil de imaginar. Vestindo calças de couro e usando brinco, demonstrando preferência por humor pornográfico, junta-se a nós passados apenas 5 minutos do início da nossa entrevista.  “Importa-se?” – ela pergunta – “É que freqüentemente ele é melhor nas respostas se fico muito quieta”. Isso significa “Você é uma jornalista britânica e eu  preciso de reforços”.  Enquanto ele andava solícito à sua volta – “Beba um pouco de champanhe, vai enganar a dor” -  ela ficou visivelmente  mais relaxada. Contudo, ainda estou chocada pela volta que a nossa conversa deu quando toquei no assunto sobre bebês.

Uma vez ela disse que o trabalho era o seu “bebê”, mas agora aos 40 anos, pergunto se suas prioridades não mudaram. Ela olha para Frank:  “Na verdade já perdi um bebê”, ela responde hesitante. Até hoje ela nunca falara publicamente sobre este fato, que aconteceu em Abril de 1998 durante uma tour mundial. “Tinha estado trabalhando na África do Sul quando regressei à Europa para continuar a tour. Quando
cheguei à Alemanha senti-me mal. Não sei porquê, mas decidi comprar um teste de gravidez. Quando descobri fiquei surpreendida. Nada havia sido planejado”.
Seu rosto irradia, “telefonei logo para  minha mãe e para
o Frank, pois sentia-me muito feliz”.


A sua felicidade durou pouco tempo. Alguns dias depois, após 16 horas de trabalho de promoção em Montreal,  quando se dirigia para Toronto, desmaiou no aeroporto. Levada de imediato para o hospital, descobriu-se que a sua gravidez era de alto risco e ela perdeu o bebê.  Frank encontrava-se em Hamburgo. “Recebi um telefonema e me pediram para ficar em casa e que me diriam como as coisas estavam em duas horas. O pior foi não ter estado lá. Senti-me impotente”. Mais tarde, em um telefonema, Sarah contou a Frank que os médicos tiveram de remover uma de suas trompas de Falópio “Disse-lhe que partiria no próximo avião” – mas Sarah disse “Não, fique. Volto para casa daqui a três dias”. Foi uma prova de coragem, contando com tudo aquilo que lhe havia acontecido. “Fiquei meio desligada durante alguns dias. Acho que foi por causa dos hormônios. Durante 3 semanas eu fiquei arrasada, e levei um ano para superar isso. Depois sentia que a alma do bebê estava comigo, o que era extraordinário. Parece loucura. Era reconfortante mas ao mesmo tempo muito emocional”.  O que os médicos dizem em relação a futuras chances de engravidar? “Oh, você sabe o que eles dizem sempre. Felizmente, ao menos teoricamente, é  possível”.

Agora ela está determinada a pôr uma pedra sobre o assunto. “Podia dizer que apesar das coisas não terem corrido como eu gostaria, não me sinto infeliz. Pelo menos tive a experiência. Muitas mulheres nunca estiveram grávidas. Por causa disso, muitas pensam que são um fracasso.”  Mesmo assim ainda lhe causa sofrimento? “O meu único medo é chegar a um ponto em que seja muito tarde e eu já não possa fazer nada em relação a isso. Mas não vou entrar em pânico. A minha vida é muito boa e não tenho do que me queixar.”  Poucas mulheres que passaram por este tipo situação compreenderiam completamente o sentimento de Sarah, mas não deixo de pensar que ela se preocupa muito mais com este assunto do que realmente admite ou deixa transparecer. Para os outros e talvez para ela própria. Esta determinação em seguir em frente surge inúmeras vezes desde o início da nossa conversa. “O que posso fazer em relação a isso??” – diz ela – “todos nós passamos por  maus momentos e temos de aprender a lidar com eles.” 

Se é algo inato, ou que aprendeu da maneira mais dura, isso é difícil de perceber.  A sua vida pessoal tem lhe dado muitas oportunidades para testar a sua força interior, com dois casamentos fracassados (o primeiro com Andrew Graham-Stewart, empresário de uma banda de rock, durou apenas 3 anos) e, talvez o mais marcante, o suicídio do seu pai.

Greenville Brightman era um homem de negócios que se suicidou dentro do seu carro numa cinzenta manhã de domingo, em Fevereiro de 1992, aos 57 anos. Sarah encontrava-se no apartamento da sua mãe quando recebeu a notícia. “Era algo que já tinha me passado pela cabeça” – responde pensativa – “Ele tinha  deixado de dormir e quando isso acontece, ficamos malucos em relativamente  pouco tempo”. O público ficou incrédulo quando na segunda-feira seguinte, Sarah continuou com sua atuação no musical “Aspects of Love”. É assim, perguntaram eles, a maneira própria de agir, de alguém que não está  preparado para deixar que algo impeça a ascensão da sua carreira? Ela abana a cabeça assustada  “Era algo ao qual podia me  agarrar e concentrar. Foi a minha maneira de me abstrair desses dias horríveis. Sentia-me deslocada. Se um pai faz uma coisa dessas, todos os valores com os quais fomos educados, sobre como a vida é preciosa e porque estamos aqui, voam pela janela a fora.” Oito anos após a sua morte ela ainda pensa nele todos os dias. “Provavelmente algumas vezes por dia. Superamos a dor e a perda mas o sentimento nunca desaparece, acabamos por nos acostumar com isso”.

Isso também aconteceu pouco tempo depois do divórcio com Andrew Lloyd Webber. A mais leve menção do nome do famoso compositor produz um suspiro quase inaudível. Francamente, quem a pode criticar? O casamento acabou em 1990. “Começou bem. Gostávamos muito da companhia um do outro. A nossa vida era difícil porque ambos estávamos sob muita pressão. Eu trabalhava e ao mesmo tempo tinha de ser a esposa socialmente, pois era o tipo de vida que ele tinha. Eu não tinha muito jeito para esse papel, e se algum dia o fui, estava representando.”  Receosa de ser mal interpretada como a sua sucessora, Madeleine Gurdon parece ser um par mais indicado. “Não digo que ser assim é mau, mas apenas não sou eu.”  “Acho que nos fartamos um do outro ao mesmo tempo” – diz ela, apesar de confessar que receber uma declaração de divórcio foi um "grande choque". Por que não lutou pelo casamento? “Quando alguém nos diz que encontrou outra pessoa e que irão ficar juntos, você tem de aceitar”.  Fora do palco, Brightman não é uma diva perto de um ataque de nervos. “Não faz parte da minha maneira de ser, conheço o meu ex-marido suficientemente bem para saber que ele falava a sério. Não havia volta.”  Os dois ainda são amigos, tanto que Sarah aceitou o convite para cantar na festa de 50 anos do compositor. “Não somos muito chegados, mas temos uma boa relação. Não tenho qualquer problema com a sua atual mulher, nem nunca tive.”

Sarah recebeu cerca de 6 milhões de libras como acordo de divórcio. Ela ofereceu-se para devolver, e até hoje ela não  tocou no dinheiro. “Não tenho nenhum problema com isso. Eu faço muito mais dinheiro do que aquele e não preciso dele. Estou numa posição bastante confortável para dizer isso com sinceridade.” E os seus rendimentos anuais de 4 milhões de libras estão corretos?  “Conheço pessoas que estão nessas listas e é engraçado, porque elas ganham muito mais, ou muito menos dinheiro do que o que é publicado” – responde, tentando escapar à pergunta.

Mesmo assim, a cantora ainda não recebeu credibilidade musical no seu país natal, algo de que ela está bem ciente. “A Inglaterra é muito importante para mim, mas se lá as pessoas não me dão credibilifdade, na América pensam o contrário” – ela responde, com uma leve entonação na sua voz. Contudo, apesar da sua aparente fragilidade, tudo indica que esta mulher possui uma força de aço. “Em resumo, é isso” – ela diz sorrindo, antes de partir para uma consulta no fisioterapeuta. Não há sombra de dúvidas, La Brightman continuará a brilhar.

La Luna será lançado no próximo dia 15 de Janeiro pela East West Records.  Sarah Brightman realizará um concerto no Royal Albert Hall no dia 10 de Abril.



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Thanks to Ruy Sandro Trindade, from Portugal, for the translation to Portuguese.
Obrigada Ruy Sandro Trindade, de Portugal, pela tradução para o Português.